Randstad Insight: A forma como queremos trabalhar está a mudar

Por Raul Neto | CEO da Randstad Portugal

Executive Digest
Julho 10, 2025
10:50

Por Raul Neto | CEO da Randstad Portugal

O tema do equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal ganhou um lugar central na forma como pensamos o trabalho nos últimos anos. Mas hoje, com novas dinâmicas laborais e sociais em constante evolução, começa a emergir uma nova lógica: mais do que equilíbrio, os profissionais procuram uma adequação entre a vida pessoal e a vida profissional, com o objetivo de ambas se irem acomodando e encaixando mutuamente de forma constante e sobretudo proativa. Este movimento está a mudar a forma como as empresas constroem o seu Employer Value Proposition (EVP), e pode muito bem ditar quem atrai — e retém — talento no futuro.

O conceito tradicional de work-life balance assente na ideia de equilíbrio entre a tentativa de manter uma divisão clara entre as obrigações profissionais e a vida pessoal, como se fossem dois mundos separados, em dois pratos de uma balança, tentativa essa estabelecida de forma reativa, começa a revelar-se demasiado rígido para a complexidade da realidade dominante na atualidade. A crescente diversidade de estilos de vida, estruturas familiares, ambições individuais, motivações geracionais, e até ritmos biológicos tornou evidente que não existe uma fórmula universal. A resposta está na flexibilidade e é aqui que surge o work-life fit.

O work-life fit propõe uma integração mais fluida entre o trabalho e a vida pessoal, adaptada às necessidades específicas de cada colaborador. Em vez de procurar um equilíbrio ideal e uniforme, o que se procura é uma adequação ajustada às circunstâncias de cada profissional: pode ser entrar mais tarde para levar os filhos à escola, ter uma manhã livre para tratar da saúde mental, ou trabalhar remotamente alguns dias por semana para evitar longos tempos de deslocação. A lógica é simples: o trabalho deve adequar-se à vida, e não o contrário.

A sociedade começa a refletir uma mudança de paradigma nas prioridades dos profissionais. De acordo com o estudo Randstad Employer Brand Research 2025, o salário continua a ser o critério mais valorizado pelos portugueses na escolha de um novo projeto profissional. No entanto, logo a seguir surge a questão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o que não sendo novidade, tem vindo a assumir novas formas de interpretação. Mais do que um mero balanço entre os dois mundos, os profissionais procuram hoje autonomia para decidir como, onde e quando trabalham.

O estudo destaca ainda outros fatores decisivos, como um bom ambiente de trabalho (terceiro fator mais valorizado), a segurança no emprego (quarto fator) e as oportunidades de progressão na carreira (que surge em quinto lugar), que se revelam cada vez mais diferenciadores e valorizados pelos profissionais portugueses.

Para as empresas, isto representa um desafio, mas também uma oportunidade. É necessário repensar políticas internas e ajustar os próprios modelos de trabalho híbridos entretanto implementados. Falamos de confiar mais, e de avaliar efetivamente o trabalho desenvolvido, em termos de produtividade e de eficiência. Um Employer Value Proposition constrói-se com empatia, escuta ativa e capacidade de adaptação.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 231 de Junho de 2025

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